25 junho 2016

REVIEW | Coração de Arlequim, de Neil Gaiman



Título Original: Coração de Arlequim
Autor: Neil Gaiman
Editora: Devir
Data: 2003
Páginas: 40
ISBN9789728631567
Classificação Pessoal: 
Goodreads: aqui

Quando a Cata do Páginas Encadernadas me perguntou se gostaria de ler este livro, disse logo que sim. Era Neil Gaiman, um dos meus autores preferidos e... não podia decepcionar, não é verdade?

Pois.. mas parece que estava redondamente enganada :(

A sinopse só diz:

Um conto clássico da Commedia dell'arte, transposto para o mundo moderno: 
Arlequim persegue a sua Columbina pelas ruas da cidade, 
num argumento de Neil Gaiman ilustrado por John Bolton num misto de pintura dinâmica
 e fotografia trabalhada a computador.


Este livro traz-nos a história de Arlequim que é apaixonado por Missy, uma rapariga que ele tinha visto no minimercado e a qual seguira pela rua fora. Arlequim é uma personagem um tanto ou quanto diferente da imagem que estamos habituados a ver nas histórias românticas. Este Arlequim rouba e distribui os presentes de São Valentim por "outros bolsos e almofadas" (pág. 13) e é macabro: o seu presente para Missy é um coração humano verdadeiro (o seu) a pingar sangue, que prende à porta da sua casa. 

Ninguém o consegue ver e é ele que vai narrando a história, que é aqui e ali intercalada por algum diálogo.


Depois de um determinado acontecimento, Missy consegue começar a ver o apaixonado e é aqui que a história vai dar uma reviravolta. E é aqui que, para mim, a história fica completamente sem sentido...


Tenho que vos confessar que me senti perdida daí para a frente com o desfecho que teve. E, dias ~ ou semanas ~ depois da minha leitura, não tenho a certeza de ter percebido aquilo bem... A história pareceu-me desconexa e senti que ficaram ali pontas desatadas que não me deixaram alcançar a intenção do autor.

E sendo uma banda desenhada, nem a arte me convenceu. Desculpem mas... que coisa mais feia. Detestei.



A parte final do livro, tem umas páginas dedicadas a esta figura lendária. Um segredo: não perdi tempo a ler.


Não me convenceu e fiquei ligeiramente desapontada. No entanto, talvez daqui a uns anos, volte a pegar neste livro e ele me surpreenda... Quem sabe?


Gostaria de vos recomendar este livro, mas acho que perceberam a minha opinião. Se quiserem arriscar (como tantas vezes acontece comigo!), força nisso!



24 junho 2016

REVIEW | Never Never, de Colleen Hoover e Tarryn Fisher


Título Original: Never Never
Autor: Colleen Hoover e Tarryn Fisher
Editora: Createspace Independent Publishing Platform
   #1 Data de publicação 2015; 150 páginas, ISBN 
9781506107158, Goodreads aqui 
  Classificação Pessoal:

  #2 Data de publicação 2015; 156 páginas, ISBN 9781508953760, Goodreads aqui
 Classificação Pessoal:

   #3 Data de publicação 2016; 130 páginas, ISBN 9781523443673, Goodreads aqui
 Classificação Pessoal: 

Vou começar esta opinião com o facto de achar que esta é uma trilogia bastante controversa... Já veremos a razão desta afirmação mais para a frente.

Colleen Hoover sempre foi uma escritora que me despertou muito a atenção ~ acho que, em grande parte, pelo que ia ouvindo (e lendo) aqui pelas redes sociais. 


Esta trilogia (da qual só possuo ~ ainda ~ os dois primeiros volumes em formato físico) promete trazer muita intriga e mistério. Aliás, as primeiras páginas e até a própria sinopse, dão logo um arzinho do que podemos esperar:


Best friends since they could walk. In love since the age of fourteen.
Complete strangers since this morning.
He'll do anything to remember. She'll do anything to forget.



A narrativa é desenvolvida num ritmo bastante rápido ~ ou então somos nós que somos impulsionados por uma leitura mais acelerada para tentarmos desvendar o mistério que envolve aqueles dois protagonistas

Os três livros são bastante curtos (à volta de 150 páginas cada) e, no ponto de vista de quase todos os leitores, não fez qualquer sentido dividir a história em três volumes. Na minha opinião, pesou mais uma estratégia de marketing do que qualquer outra coisa...


Vamos então à história e à minha opinião. Silas e Charlie são amigos desde pequenos, uma vez que os seus pais também já se conheciam e trabalhavam juntos. Na adolescência, aquelas duas personagens apaixonam-se, mas ao leitor nada mais é dito sobre esse percurso. O pouco que vamos conhecendo, vai sendo apresentado aos poucos, ao longo dos livros. 

A narrativa inicia-se com um acontecimento, que tem lugar numa manhã como tantas outras, em que algo acontece e faz com ambos fiquem estranhos um ao outro. Ou melhor, como se não se conhecessem... e como se não se conseguissem lembrar de grande parte das suas vidas.

E o mais estranho? Todos os dias, à mesma hora, há como que um "reset" nas suas mentes e eles acordam sem se lembrarem absolutamente de nada. Acontecimento estranho, não? Às vezes até podia dar jeito, mas sempre, não me parece que seja muito agradável!

A narrativa é desenvolvida no ponto de vista das duas personagens principais e vai intercalando um capítulo para cada um. 


Bom, não é preciso acrescentar que a história anda à volta deste mistério e da motivo pelo qual este "reset" acontece todo o santo dia, à mesma hora. O engraçado é que vamos conhecendo a sua história, da sua família e amigos, à medida que as páginas avançam e ao mesmo tempo que Silas e Charlie. E como leitores, há uma dúvida que vos vai consumir do início ao fim: Mas que raio aconteceu que possa explicar aquele "delete" nas suas mentes?!?

E sim, a expectativa vai ser muita. Vai consumir-vos também!! E vocês vão ser consumidos pela necessidade e curiosidade de saber como é que as autoras vão explicar tal acontecimento. 


O primeiro e o segundo volume terminam de uma forma muito WOW!! e nós simplesmente... não conseguimos parar de ler! Há um conjunto de coisas surpreendentes e surreais para as quais precisamos de encontrar resposta. E lá vamos nós comprar o terceiro volume...


Eu sabia que tinha que ter o último volume mal ele fosse lançado. Por muitas voltas que dava, não conseguia encontrar uma saída e uma explicação para aquela encrencada em que as personagens estavam metidas. Adquiri o ebook e nem esperei pelo lançamento do livro físico. Mas fiquei um pouco decepcionada... depois de tanta expectativa criada, era esta a explicação e a resolução para aquele caso?! Não me convenceu, sorry. 


Só não dei duas estrelas porque, porque... nem eu sei! :) Mentira! Sei sim [pontos positivos]: pelas personagens e pela forma como foram construídas e como vão sendo construídas ao longo da obra; pela beleza de também nós acompanharmos esse processo de descoberta que é levado a cabo entre os dois; pelo mistério que nos prende; pelos capítulos curtos e bem escritos e pelo romance que vai surgindo de forma "camuflada" e nada lamechas.

Mas esperava muito mais...

Se gostarem de livros que vos agarram e super rápidos de ler, apostem. O inglês é bastante acessível e conseguem ler de uma assentada. Mas depois digam-me se concordam com a minha opinião ;)


15 junho 2016

REVIEW | Room ou O quarto de Jack, de Emma Donoghue


Título Original: Room
Autor: Emma Donoghue
Editora: Picador
Data: 2010
Páginas: 321
ISBN9780330519922
Classificação Pessoal: 
Goodreadsaqui

Acabei de pousar este livro há uns minutos ~ note-se que esta review já tem algumas semaninhas de existência como rascunho ~ e não podia deixar passar mais tempo para escrever algumas linhas sobre o mesmo.

Eu sei que dei três estrelas mas foi um livro que, até certo ponto, me marcou imenso. Conta-nos a história de Jack, um menino de cinco anos, que vive com a mãe, num pequeno quarto.

Jack nunca conheceu o mundo Lá Fora porque a sua mãe foi raptada pelo Nick Mafarrico quando ela se encontrava na Universidade. Desde então, a mãe tem vivido encarcerada naquelas paredes, recebendo a visita do raptor, quase todas as noites.


Jack e a mãe são a única companhia um do outro e esta desdobra-se em criatividade para arranjar actividades que os mantenham ocupados e os ajudem a fazer algum exercício, naqueles poucos metros quadrados. É uma história de sobrevivência que nos recorda tantas outras que passaram pelos noticiários.

A história é narrada pelo Jack e é apenas o seu ponto de vista que nos dá a conhecer o que por ali se vai passando. E se, no início, isso me parecia uma vantagem, acho que a ideia se foi perdendo por cair um pouco na repetição de alguns episódios e pelo facto de ter sentido a falta da visão "mais adulta" e fundamentada dos acontecimentos. Ou seja, a ver se me explico... em determinadas alturas, gostaria de ter conhecido a perspectiva da mãe sobre o seu processo de sobrevivência, sobre o que ela sentiu, coisa a que raramente temos acesso e quando o temos é de forma indirecta ~ através das suas atitudes e falas, relatadas pelo Jack.



De qualquer forma, é uma história comovente e de coragem que nos toca, não só pelo drama e crueldade da situação, mas também pelas observações do menino e pela construção que ele faz do mundo fora daquele quarto. E depois, o humor de pequeninas coisas que nos fazem sorrir.


Gostei do final, daquela última página da história e a necessidade que o menino tem de, sem ele o saber, fazer o processo de luto, do dizer "Adeus".

Não vos quero relatar mais. Não pela razão de não pretender falar da história, mas para não vos estragar nada de nada e não vos dar pistas sobre o que acontece, se eles fogem ou não, se não resgatados, se o menino conhece o mundo lá fora, etc. Mas aconselho-vos a leitura, algo que se lê bastante rápido e que nos deixa a pensar: " E se fosse eu?".