20 julho 2016

REVIEW | O Número das Estrelas, de Lois Lowry



Título Original: O número das estrelas
Autor: Lois Lowry
Editora: Booksmile
Data: 2016
Páginas: 144
ISBN9789898831699
Classificação Pessoal:
Temas: II Guerra Mundial; amizade; coragem; infância; amor e solidariedade
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Este é o segundo livro que leio da autora (já tinha lido o "The Giver", que adorei) e, mais uma vez, Lois Lowry não desiludiu.


Antes de mais, deixem-me avisar-vos que este livro é protagonizado por uma menina de 10 anos e pela sua melhor amiga, também da mesma idade, e que, apesar da dureza do tema da guerra, nos fala sobre a pureza da infância, sobre coragem e sobre amor. Neste sentido, e como podem ler na introdução da obra, esta é uma história que pode e deve ser lida por todos, independentemente da nossa idade.


Vamos passar à história: Annemarie é a personagem principal desta obra, uma menina de dez anos ~ como já mencionei ~, que vive em Copenhaga, capital e maior cidade da Dinamarca. A menina vive num pequeno apartamento com os pais e a irmã mais nova, Kirsti. Como vizinhos, têm uma família de judeus, cuja filha ~ Ellen ~, é também a sua melhor amiga.


A história desenrola-se no ano de 1943 e é triste verificarmos como a guerra vai obrigar estas meninas a crescerem e a perderem parte da sua infância.

Ao longo do livro, a autora vai fazendo referências à forma como a guerra afectou este mesmo país, não só a nível económico, como social:  perseguição aos judeus, a presença dos soldados alemães, assim como a força dos resistentes, que lutam pelos direitos humanos e ajudam os judeus. E tudo isto relatado por uma menina de 10 anos, que nem sempre compreendia o que se passava à sua volta, mas que foi obrigada a conviver com tais atrocidades.


Logo no início do livro, a autora desvenda que Annemarie terá de fazer uma escolha determinante, em nome da amiga. Talvez por estar habituada a literatura com esta temática, imaginei logo o pior dos cenários... a escolha é feita sim, mas não a uma grande escala como eu estava a imaginar. Todavia, compreende-se... mesmo assim, é uma escolha crucial para uma menina daquela idade. Não me surpreende nada que Annemarie não tenha hesitado no momento da decisão.


No que concerne à escrita, este livro prima pelos capítulos curtos e escritos sem grandes floreados, de uma forma singela, bem ao jeito da literatura juvenil. Fez-me sorrir porque penso que se adequa perfeitamente à ingenuidade e leveza do mundo infantil e nos faz ficar ainda mais apaixonados e integrados na narrativa que explora.


Na minha opinião, esta história prima pelo facto de não se ficar apenas pelos pontos negativos do ambiente da II Guerra. Muito pelo contrário, esse é o pano de fundo da narrativa mas, a meu ver, a grande mensagem está no acto de coragem dos intervenientes da resistência e a sua actuação; na mensagem de coragem e de esperança que nos passa.

Apesar de nem tudo ser verídico nesta história, temos a confirmação da autora de que a mesma lhe foi contada pela sua amiga que viveu na Dinamarca e que queria ver esta narrativa guardada para a posteridade. 


É um livro delicioso, que se lê super rápido e que recomendo para qualquer idade!

Esta opinião foi escrita no âmbito do projecto KidsRus :)



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13 julho 2016

DESAFIOS LITERÁRIOS | #MLVerão2016



Vamos participar na #MLVerão2016? Vamos! :)

Um pouco tarde (qual a novidade, Mary?!?) mas ~ finalmente ~ consegui decidir-me por alguns livros que pretendo ler nestes próximos meses e que espero conseguir integrar nesta maratona, promovida pelo blogue Flames (aqui toda a informação) e o Agora que Sou Crítica (aqui).


Já sabem que eu gosto de papelinhos e coisas coloridas e de tornar as coisas versáteis, adaptando-as  à minha maneira. É mais forte que eu...

E se, no início, a quantidade categorias me assustou, porque não conseguia definir livros para todas e não me queria prender ao facto de estar a definir leituras que depois não me apeteceriam realizar, optei por dividi-las em duas grandes categorias: 


Desta forma, estipulo já as leituras que são prioritárias (e que, supostamente, pretendo mesmo realizar), das que são mais do âmbito "opcional".

Ah, e vamos escrever tudo em post-its, porque assim podemos mover de categoria em categoria ~ conforme seja mais vantajoso ~, retirar ou adicionar. Acreditem que assim vos dará mais a ideia de liberdade na realização das leituras. Pelo menos comigo, funciona bastante bem :)

Vamos lá à lista:


Como podem verificar, algumas das categorias ainda não têm livro adicionado. Vou decidindo à medida que o tempo passar...

E sempre que termino a leitura, faço um visto à frente do livro em questão. Assim vou controlando o que vai ficando feito. Ai aquela sensação de dever cumprido, hehehe!



Algumas destas leituras serão conjuntas. Adivinham com quem? Pois claro, com a Raquel do So Happy With Books (confiram aqui o vídeo que ela realizou para este projecto).

E no final, deixei alguns post-its com outros livros que pretendo ler, conforme a prioridade, mas que ainda não tinha bem a certeza se entrariam no projecto e/ou em que desafio. Depois é só decidir, conforme o que me apetecer na altura ;)



Então, o que acharam? São adeptos deste tipo de coisas?

E vão participar nesta maratona? Se sim, então vemo-nos por aí ;)

12 julho 2016

REVIEW | O Assassinato de Roger Ackroyd, de Agatha Christie



Título Original: O Assassinato de Roger Ackroyd
Autor: Agatha Christie
Editora: Bis
Data: 2014
Páginas: 214
ISBN9789896603274
Classificação Pessoal: 
Temas & Assuntos: crime e suspense, investigação policial, intrigas
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Este livro foi lido no âmbito do projecto "1 Ano com a Agatha Christie", organizado pela Joca do Little House of Books

Confesso que andar a ler muitos livros seguidos desta senhora do crime me está a deixar um pouco aquém das expectativas que tinha idealizado inicialmente. Há investigações com nuances muito comuns e resoluções com reminiscências de outras leituras anteriores que me desiludem um pouco. Mas vamos à opinião de hoje!

Este livro traz-nos a história de Roger Ackroyd que acaba por descobrir que a senhora por quem estava apaixonado tenha ~ possivelmente ~ envenenado o marido, sendo agora alvo de chantagem, por alguém que lhe quer extorquir dinheiro. Quando decide iniciar uma investigação para descobrir quem seria essa pessoa, a senhora acaba por morrer de overdose. Suicídio? 

Antes de morrer, a senhora deixa uma carta a Roger onde parece denunciar o seu chantagista.


Como já é típico nos livros de Agatha C., as suspeitas sobre o assassino recaem sobre diversas personagens: família, criados, visitantes, ... Todos eles parecem ter algum motivo para matar o velho Roger mas, o maior de todos, dinheiro. As usual...

Com tantas personagens e diferentes motivos, custa-me um pouco fixar quem é quem, graus de parentesco e os seus interesses e motivos para a resolução de cada caso. Acho que vou ter que começar a fazer as próximas leituras com um bloquinho de notas ao lado, tal e qual o nosso Poirot :)



Com o avançar da leitura, vamos percebendo que algumas personagens estavam à hora errada, no sítio errado; ou seja, apesar da suspeita, encontravam-se naquele local por um motivo completamente diferente. Há acontecimentos e motivos "paralelos" que nos enganam e nos aumentam, ainda que apenas em fase inicial, o número de suspeitos.

Estou orgulhosa dos meus dotes de detective... Consegui unir as pontas soltas e chegar ao assassino, embora julgasse que ele tivesse tido outro tipo de ajuda. Mas parece que não...


Novamente, a ideia de que Poirot é uma peça essencial na correcta resolução do caso - se não fosse ele, a polícia ter-se-ia equivocado no suspeito. Uau, que bom que é saber isso!!

Pois é, ao contrário de alguns dos outros suspeitos, Poirot estava no sítio certo, à hora certa! E recebe os louros de mais um caso desvendado.

Coitado do senhor, nem na reforma consegue descanso na sua hortinha!

O que não gostei nesta obra, ao ponto de lhe dar 2 estrelas? O desfecho. Não concordo com a resolução que o Poirot dá ao caso, à benevolência que expressa pelo assassino. Não vos quero spoilar, por isso, não me alongarei nesta parte mas, sendo o Poirot uma pessoa tão meticulosa e correcta, defensor da justiça, como poderia ter permitido um desfecho assim?

Para mim é inaceitável e completamente oposto aos princípios por ele veiculados


E vocês, já leram? Gostaram do desfecho? Sei que este é um livro favorito para muita gente, por isso, gostava de saber a vossa opinião...


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07 julho 2016

TAG | Livros do Ano em que Nasci

Já reparam há que tempos é que eu não respondo a uma TAG? Oh yeah...

Tempo de pôr mãos à obra e responder a esta, criada pela Joca [confiram o vídeo dela aqui], e que nos dá a conhecer os livros que foram publicados no ano em que nós nascemos.

E para quem não sabe, aqui nos meus 33 anos, o meu ano de nascimento é 1982.


E sim, ainda é tudo com partes originais :)

Confesso que só conhecia um livro publicado neste ano ~ A Cor Púrpura ~, que acabei de ler há pouquíssimo tempo mas, foi com enorme alegria, que constatei que este foi um ano de grandes obras. Grande colheita! :)

Espreitem só o que eu descobri (escolhi os livros que considerei mais importantes ou que quero ler no futuro; a maior parte deles não tem edição em português, ou então, já teve e agora encontra-se esgotada).


| THE RUNNING MAN | Stephen King



| O PISTOLEIRO | Stephen King

Stephen King é um autor que tenho vindo a descobrir aos poucos e poucos e que se tem vindo a revelar uma surpresa muito agradável. Que mestre!
Este de "O Pistoleiro" chama-me bastante a atenção :)

| THE COLOR PURPLE | Alice Walker


Um livro lindíssimo que aconselho a toda a gente. Li-o há poucas semanas e marcou-me bastante. Em breve falarei sobre ele por aqui.

| 2010 SEGUNDA ODISSEIA | Arthur C. Clarke


| O LIVRO DO DESASSOSSEGO | Fernando Pessoa


Este livro é uma das mais preciosas relíquias da minha estante. Ainda não o li, mas sinto que vai ser especial da primeira à última página...

| MEMORIAL DO CONVENTO | José Saramago




Este livro foi o responsável por passar anos sem conseguir ler mais nada deste autor. Fiquei traumatizada com a leitura obrigatória na escola. Depois de tantos anos, continuo de jejum no que concerne aos livros de Saramago, mas tenho ali o "Intermitências da Morte" para tentar combater tudo isso.

| THE COMPLETE ROBOT | Isaac Asimov


Julgo que este livro foi o que depois originou o que hoje conhecemos por "Eu, Robot", uma leitura que realizei este ano (depois de tanto tempo a adiar e a adiar), mas que acabei por não adorar como esperava.

| SCHINDLER'S LIST | Thomas Keneally

Mesmo que nunca tenham lido este livro, já toda a gente viu o filme, certo? Impossível ficar indiferente a esta história.

| O DIÁRIO SECRETO DE ADRIAN MOLE AOS 13 ANOS E 3/4 | Sue Townsend


Vocês também são do tempo em que se lia este livrinho? :) Como eu me divertia com as histórias deste rapaz!! Bons tempos...


Já leram algum destes livros?
Qual o livro publicado no vosso ano que consideram mais importante?

04 julho 2016

REVIEW | Razões para ler a série "Falling Kingdoms", de Morgan Rhodes


Título Original: Falling Kingdoms, Rebel Spring, Gathering Darkness, Frozen Tides
Autor: Morgan Rhodes
Editora: Penguin Books
Data: 2012, 2013, 2014, 2015
Páginas: 412, 401, 416, 432
ISBN9781595145857, 
Classificação Pessoal: 
Temas: intriga, mistério, traições, fantasia, segredos bem guardados
Goodreadsaqui; aqui; aqui; aqui


Vamos à sinopse do primeiro livro, para não adiantarmos nenhum spoiler em relação aos restantes:
Antes de mais, gostava de dizer-vos que bem tentei escrever uma review para cada um dos livros desta série mas... depois de várias tentativas frustradas, desisti. Isto porque acabei por devorar cada um deles de uma forma... animalesca :) Que série incrível! E depois de os ler, ficava a pensar no que podia dizer e como o havia de dizer e... bem... digamos que fui adiando, adiando, e agora julgo que faz mais sentido apresentar-vos algumas razões que vos convençam a pegar nestas relíquias.


Nesta história temos o reino de Mytica, constituído por Limeros, Paelsia e Auranos e em cada uma destas partes, temos personagens principais que, de certa forma, se vão acabar por relacionar umas com as outras. Neste sentido, há personagens principais para cada uma das partes do reino e a narrativa é contada através da perspectiva de cada uma delas. Isto significa que cada capítulo é reservado à visão de uma determinada personagem ~ o que eu adoro, mesmo ao jeito das Crónicas do Gelo e do Fogo, porque faz com a história avance de uma forma mais dinâmica e viciante para o leitor ~


O enredo está então repleto de personagens muito bem construídas, que evoluem ao longo da história, que são ricas e que agem segundo a sua própria personalidade. Tal como Martin, também Morgan Rhodes não tem qualquer tipo de piedade em escravizar e matar as suas personagens... awesome! Nunca sabemos o que a página seguinte nos reserva! 

Esperem, por isso, inúmeras peripécias e uma história que prima por não ter um ponto de vista redutor, fruto da visão de apenas uma das personagens, mas uma visão muito mais rica e abrangente.

E sim, há personagens irritantes. Tipo.. aquela Lucia... Se irrita? Irrita. Mas o mérito é todo para a autora, que a conseguiu construir assim ~ acredito eu ~, para que despertasse esse sentimento em nós, leitores.   


Outro ponto a favor da autora é a fluidez na sua escrita. A história corre pelas linhas do livro, não há nada forçado, tudo está completamente integrado na estrutura narrativa. As descrições são engenhosamente incluídas ao longo da história, mas de forma natural, através das personagens ou do próprio narrador. No entanto, esses momentos apenas surgem quando necessários, o que significa que, mesmo nos livros posteriores, em que é necessário contextualizar o leitor e recordá-lo dos acontecimentos dos volumes anteriores, a história não pára. As informações são dadas a seu tempo, quando pertinentes, nem que tal tenha que acontecer a meio do livro. 


A presença do fantástico é um dos pontos fortes, envolto em grande secretismo, que se vai desvendando aos poucos e poucos. Há feiticeiras e vigilantes... e outras coisas mais!


A linguagem é simples e muito acessível. Li em inglês e achei bastante fácil, por isso, aconselho para quem estiver a começar a iniciar-se neste tipo de leituras.


É uma série que prima pela originalidade. Eu sei que é comparada a Game of Thrones [odeio este tipo de comparações!! são sempre redutoras e tiram mérito à coisa, especialmente quando escritas na capa do livro, como acontece aqui] mas acreditem que a história em si, nada tem a ver com a série de Martin. Agora, se falarmos da estrutura da narrativa e na frieza do tratamento que é dado a algumas personagens, aí sim, posso concordar que há ali qualquer coisinha que me faz lembrar o senhor Geroge R. R. Martin. Mas, para mim, isso é ~ sem qualquer dúvida ~ um ponto a favor!

Por isso, leiam esta série :) Se gostam de literatura fantástica, não deixem passar estar oportunidade!

Convenci-vos? :)